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Copom: Ciclo de aperto monetário deve avançar “significativamente”

Ata da última reunião do Copom foi divulgado hoje (10)

Copom: Ciclo de aperto monetário deve avançar “significativamente” (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Comitê de Política Monetária (Copom) considera ser “apropriada” a manutenção do ciclo de aperto monetário diante das projeções observadas e do “risco de desancoragem das expectativas” para prazos mais longos. É o que diz ata da última reunião do comitê, que foi divulgada nesta terça-feira (10). Na quarta-feira passada (4), o Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual para 12,75% ao ano.

Entre as avaliações apresentadas na ata da reunião, estão também considerações sobre a continuidade da alta do petróleo; a continuidade da inflação no país e no ambiente externo; a nova onda da covid-19 na China; e a reorganização das cadeias de produção globais em decorrência da guerra na Ucrânia.

A inflação ao consumidor segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes se mostrando mais persistente que o antecipado. A inflação de serviços e de bens industriais se mantém alta, e os recentes choques levaram a um forte aumento nos componentes ligados a alimentos e combustível”, informou o Copom.

As leituras recentes vieram acima do esperado e a surpresa ocorreu tanto nos componentes mais voláteis como nos mais associados à inflação subjacente“, acrescentou ao destacar, entre os itens mais voláteis, o aumento do preço da gasolina, “com impacto maior e mais rápido do que era previsto“.

As expectativas de inflação para 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 7,9% e 4,1%, respectivamente. A meta do Banco Central é de encerrar o ano com inflação de 3,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, a avaliação do comitê é de que “é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista“. Eles ainda afirmam que vão continuar com a estratégia até que se observe resultados nos índices inflacionários, na busca por se aproximar das metas.

Essa convergência da inflação na direção das metas, no entanto, depende, segundo o Copom, da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

O Copom deixou sinais de que o plano é seguir adiante no aumento da taxa Selic. No entanto, mostrou que o fim do ciclo de alta que parece estar próximo. Para os analistas, parece que a ata deixou nebuloso onde está este topo, ficando em aberto qual seria o aumento residual e quando ele virá. Alguns economistas citam que pode terminar na próxima reunião de junho e outros falam que o aperto monetário seguirá para mais 2 encontros do comitê. Com um cenário de inflação mundial ainda incerto e a cadeia de suprimentos instável, o Banco Central parece estar mais cauteloso quanto aos próximos passos.

Vinicius Felchack, Executivo de Investimentos da Invest4U

Cenário externo

No cenário externo, o ambiente global seguiu se deteriorando, conforme informa a ata do Copom, tendo por base as pressões inflacionárias decorrentes da recuperação global após a pandemia, que impactaram nos preços de commodities este ano e, mais recentemente, pela nova onda da Covid-19 na China, “com potencial de prolongar ainda mais o processo de normalização do suprimento de insumos industriais”.

A reorganização das cadeias de produção globais, já impulsionada pela guerra na Ucrânia, deve se intensificar, com a busca por uma maior regionalização na cadeia de suprimentos. Na visão do comitê, esses desenvolvimentos podem ter consequências de longo prazo e se traduzir em pressões inflacionárias mais prolongadas na produção global de bens“, complementa a ata.

O Copom cita também a adoção de uma política mais contracionista por bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes, em reação ao avanço da inflação. “A reprecificação da política monetária nos países avançados tem impactado as condições financeiras dos países emergentes“, finaliza a ata do Copom.

com informações da Agência Brasil


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